
Consumo de carne cai e SIC convoca à reação
*(Carlos Viacava)
Estamos na contramão. Enquanto em vários outros países, como a China, o consumo per capita aumenta, no Brasil seus habitantes estão comendo menos carne bovina.
Isso é lamentável e extemporâneo, pois é inequívoco que o poder de compra do brasileiro aumentou enquanto a carne baixou de preço.
Uma triste constatação: no ano de 1995, o consumo per capita no Brasil era de 42,6 kg. No ano em curso, despencou para 37,6 kg, segundo informações do Anualpec 2007.


Inversamente, o consumo de frango aumentou, no mesmo período, de 21,8 kg para 38,1 kg, superando o consumo per capita da carne.
Não cabe, em nenhuma hipótese, a alegação de aumentos de preço, pois a cotação da arroba de boi e o preço do frango têm recuado nesse período.
Note-se que ambos recuaram e recuaram em proporções muito parecidas.


Somando-se o consumo de carnes (frango mais bovina) nota-se que o total passou de 64,4 kg para 75,7 kg fato que confirma a teoria da elasticidade renda da demanda de proteínas animais. Ou seja, quando aumenta a renda, aumenta a demanda de carnes.
Já as exportações explodiram e o País é hoje o primeiro do ranking mundial. Muitos fatores ocorreram simultaneamente para justificar essa explosão, entre eles os surtos de BSE no Canadá e na Europa, o surto de aftosa no Uruguai e Argentina, o fortalecimento e aprimoramento da capacidade gerencial de nossos frigoríficos e a melhoria da qualidade do nosso gado e da nossa carne. Porém, o fator mais relevante foi sem dúvida a queda dos preços do boi gordo.
Dentro desse cenário paradoxal, há necessidade e urgência em se convocar à reflexão todos os elos participantes da cadeia produtiva da carne, em especial os diretores, associados e os grupos técnicos que compõem o SIC (Serviço de Informação da Carne), que funciona para demonstrar a importância da presença desse alimento nobre na mesa dos nossos conterrâneos de Norte a Sul do País.
O SIC, criado para promover o consumo da carne e para servir como fonte de informações técnicas e científicas sobre os diversos segmentos de nossa atividade é aceito com simpatia e solidariedade por todos os participantes, porém, não consegue até hoje uma estrutura financeira e organizacional que permita uma atuação mais abrangente.
Timidamente iniciamos a campanha já em circulação “você gosta, você pode, você precisa” que busca incentivar o consumo, mostrando cortes extremamente baratos que podem produzir excelentes pratos para enriquecer a dieta do brasileiro, principalmente aquele das classes menos favorecidas.
Atualmente estamos também empenhados em campanha emergencial e conjuntural para a defesa da carne brasileira na Europa, alvo de ataques principalmente dos produtores da Inglaterra e Irlanda. Vamos mostrar o “brazilian beef, naturally healthy” para todo o mundo, a partir da exposição de Anuga, em Colônia na Alemanha. Trata-se simplesmente da maior feira de alimentação do planeta.

Aí está o X da questão: como promover grandes campanhas com um minúsculo orçamento. É fundamental que todos os participantes desse jogo, se convençam de que estamos perdendo terreno dentro de nossa própria casa e de que é preciso olhar com mais atenção para a promoção de nosso produto.
A longo prazo, entendemos também, que se faz urgente definir com clareza as áreas para atuação permanente do SIC.
Lembramos que muito pode ser feito com recursos financeiros não tão vultosos, com destaque para pesquisas que eliminem dúvidas quanto aos benefícios do consumo de carne. Enfim, mostrem como é saudável incluir cada vez mais esse alimento no cardápio dos lares brasileiros.
Citamos alguns exemplos de pesquisas que devem ser desenvolvidas e que estão em consonância com o momento atual. Temas sobre meio ambiente, seqüestro de carbono, saúde humana, sanidade animal, rastreabilidade, trabalho escravo e infantil, entre outros, estão sendo utilizados para agredir a pecuária brasileira. É função do SIC esclarecer e informar com respaldo científico quanto aos mitos e realidades da carne produzida no Brasil.
É urgente a definição de pesquisas a serem encomendadas na área ambiental. Elas devem obrigatoriamente abordar os efeitos da pecuária no aquecimento global e no seqüestro de carbono, na emissão de metano, no desmatamento e na área ocupada. Afinal, o boi de capim precisa permanentemente de capim renovável. Será que o seu crescimento não seqüestra carbono e libera oxigênio? O balanço da pecuária a pasto pode muito bem ter um saldo positivo a favor do meio ambiente. A ciência pode responder essa questão; precisamos convocá-la.
Palavras outrora conhecidas de poucos especialistas, nos dias correntes estão até na boca das crianças nas escolas e ressoam sem muita profundidade. Reside aqui a urgência de partirmos para a ação e para o esclarecimento.
É premente que se pesquise e divulgue os efeitos de uma dieta equilibrada, rica em carne para a melhoria da saúde de nossa população, economizando recursos indispensáveis do nosso desfalcado orçamento do Sistema de Saúde Pública.
É importante o acompanhamento e a colaboração do SIC na área sanitária animal e na rastreabilidade, que procura garantir à dona de casa a qualidade e a origem do alimento que ela leva para sua mesa.
Está aí a realidade brasileira: o boi de capim, fonte essencial de proteínas animais, produzidas através de nossas condições climáticas específicas e que produz um alimento apetitoso, barato e saudável: “Você gosta, você pode, você precisa”.
Convoco todos os membros da cadeia produtiva da carne a descruzarem os braços e a reagirem a essa inaceitável condição de perdedores de mercado.
(Carlos Viacava é presidente do SIC)

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