
Estudo demonstra que a carne bovina pode fazer parte de dieta de baixo colesterol!
Preocupado com sua taxa de colesterol? Tem ouvido papos negativos sobre a carne bovina em relação à gordura e colesterol? Muitas pessoas foram condicionadas a acreditar que a carne vermelha é incompatível com uma dieta saudável ao coração. Mas de acordo com o estudo “Comparações dos efeitos da carne vermelha magra X carne branca magra nos níveis de lipídio sérico entre pessoas portadoras de hipercolesterolemia”, publicado em 28 de junho de 1999 nos Archives of Internal Medicine, uma dieta que inclua 180g de carne vermelha magra, consumida 5 ou mais dias por semana, pode na verdade reduzir o risco de doenças coronárias.
Os resultados mostraram que todos os dois tipos de proteínas das carnes diminuíram o mau colesterol e aumentaram o bom colesterol, de acordo com os pesquisadores. As lipoproteínas totais e as de baixa densidade (LDL) – o mau colesterol – diminuíram no período de 9 meses em ambos os grupos; os níveis de colesterol de alta densidade (HDL) – o bom colesterol – aumentaram. Juntas, estas mudanças favoráveis nos níveis de colesterol foram responsáveis por redução de cerca de 10% do risco de doenças coronárias.
O estudo foi conduzido pelo Centro Chicago de Pesquisa Clínica, pela Universidade Johns Hopkins na sua Clínica Lipídica e pela Universidade de Minnesota. Os três estudos compararam a longo termo os efeitos na concentração do colesterol pela incorporação de dietas com carne vermelha magra ou de carne branca magra dentro do Programa Nacional de Educação do Colesterol, conduzido entre homens e mulheres com níveis elevados de colesterol.
Duzentas e duas pessoas (homens e mulheres) com níveis de colesterol leves a moderados participaram do estudo. Metade do grupo teve 80% da sua ingestão em carnes de fontes de carne vermelha magra (bovina, vitela ou suína), cinco a sete dias por semana por 9 meses; o outro grupo de fontes de carne branca magra (peixe, aves) pelo mesmo período de tempo.
Os estudos clínicos confirmaram que a carne vermelha magra é intercambiável com peixe e frango magros, tendo em vista sua influência nos níveis de colesterol. Este estudo duplicou os resultados em meio-ambiente livre, permitindo aos indivíduos a flexibilidade em consumirem carne vermelha magra de acordo com seus próprios esquemas e preferências em sabor.
Um dos resultados mais surpreendentes deste estudo foi que os participantes que consumiram carne vermelha magra foram mais propensos em se ater ao seu regime corretamente que os que consumiram somente carne branca magra. De acordo com os pesquisadores, os participantes consumidores de carne vermelha magra mostraram melhor cumprimento à dieta que os participantes consumidores de carne branca magra.
De acordo com os pesquisadores, a carne vermelha magra pode ser facilmente incorporada à dieta, pois há muitas variedades de cortes disponíveis neste segmento. Sete cortes de carne bovina caem dentro destes guias estritos, seguindo a designação “magra” conforme delineado em 1990. Estes cortes, em média, têm 6,4g de gorduras totais e 2,3g de gordura saturada em 100g de porção cozida. Aparar os excessos de gordura antes do cozimento reduz a gordura em até 50% e a gordura adicionada pode ser minimizada ao máximo, utilizando métodos de cozimento de baixo teor em gordura, tais como grelhar, chapear e assar, ou métodos de cozimento por calor úmido como brasear e ensopar. Os consumidores devem lembrar-se também que uma porção de 100g de carne magra equivale a um maço de baralho de cartas empilhadas.
Nutrientes-chave da carne magra
Na dieta ocidental média, cerca de metade do zinco e cerca de ¼ do ferro são provenientes da carne, em particular da carne bovina. Embora não se possa basear somente em carnes magras para obter todas as necessidades nutricionais em zinco e ferro, pois ainda é necessário incluir outros alimentos ricos nesses dois nutrientes na dieta total, as carnes magras exercem a maior contribuição para obtenção deles. Talvez o exemplo mais contundente da participação da carne como fonte-chave fornecedora de nutriente seja a vitamina B12. A dieta ocidental média fornece menos que a metade do valor dietético para este nutriente, e a carne magra fornece exatamente metade do valor dietético para vitamina B12 em uma porção de 120g. Claro que existem várias outras boas fontes de vitamina B12 (como salmão, por exemplo) e boas fontes de zinco (como sementes de gergelim ou de abóbora) e ferro (como lentilhas, ou vegetais folhosos de cor verde escura), muito embora essas outras fontes não sejam tão biodisponíveis quanto a carne bovina.
Afortunadamente, os estudos da pesquisa mostram que se pode consumir cortes magros de carne bovina e assim desfrutar dos benefícios do seu teor em zinco, ferro e vitamina B12, entre outros nutrientes. Estes estudos deixam bem claro que os indivíduos podem se beneficiar da carne bovina magra e ao mesmo tempo evitar níveis potencialmente indesejáveis de gordura saturada e gorduras totais dos cortes não tão magros.
O que é hipercolesterolemia?
É a presença de altos níveis de colesterol no sangue. Não é uma doença, mas um desalinhamento metabólico que pode ser secundário a muitas outras doenças e pode contribuir para muitas formas de patologias, mais notadamente doenças cardiovasculares. Está relacionado intimamente com o termo “hiperlipidemia” (níveis elevados de lipídeos) e “hiperlipoproteinemia” (níveis elevados de lipoproteínas).
O colesterol elevado no sangue se deve às anormalidades nos níveis de lipoproteínas, partículas carreadoras de colesterol na corrente sanguínea. Podem estar relacionados à dieta, fatores genéticos (como mutações nos receptores de LDL na hipercolesterolemia familiar) e na presença de outras patologias como diabetes e tireóide hipoativa. O tipo de hipercolesterolemia depende do tipo de partícula (tal como o LDL – lipoproteína de baixa densidade) presente em excesso. O nível elevado de colesterol é tratado com dieta pobre em colesterol, medicação e raramente com outros tratamentos, incluindo cirurgia (para subtipos particularmente severos). Este quadro aumenta a ênfase de outros fatores de risco para doenças cardiovasculares, como a pressão alta.
Sintomas
O colesterol elevado não apresenta sintomas específicos a menos que seja de longa data. Alguns tipos de hipercolesterolemia levam a achados físicos específicos: xantoma (deposição de colesterol em blocos na pele ou em tendões), xantelasma da pálpebra (blocos amarelados ao redor dos cílios) e arcus senilis (descoloração esbranquiçada da córnea periférica). A hipercolesterolemia de longa data leva ao aceleramento da aterosclerose, e que se expressa por si mesma em numerosas doenças cardiovasculares: doenças das artérias coronárias (angina pectoris, ataque cardíaco), derrame e episódios de AVC (acidentes cardiovasculares) e doenças vasculares periféricas.
Embora parte do colesterol circulante se origine da dieta, e restringindo a ingestão de colesterol podem-se reduzir os níveis de colesterol, há várias outras ligações entre os padrões dietéticos e os níveis de colesterol. A Associação Americana do Coração compilou uma lista de alimentos aceitáveis/inaceitáveis para os diagnosticados com hipercolesterolemia. As mudanças dietéticas podem ser bem contundentes: quando um grupo de índios Tarahumara, no México, sem problemas de obesidade e colesterol foram expostos à dieta ocidental, seu perfil de risco piorou significativamente, com os níveis de colesterol aumentando mais de 30%.
Referência bibliográficas:
• 1. Arch Intern Med. 1999 June 28, 159 (12): 1331-8. Comparison of the effects of lean red meat vs lean white meat on serum lipid levels among free-living persons with hypercholestolemia: a long-term, randomized clinical trial. Davidson MH, Hunninghake D, Maki KC, Kwiterovich PO Jr, Kafonek S.
•2. McMurry MP, Cerqueira MT, Connor SL, Connor WE (1991). "Changes in lipid and lipoprotein levels and body weight in Tarahumara Indians after consumption of an affluent diet". N. Engl. J. Med. 325 (24): 1704–8. PMID 1944471
•3. National Institute for Health and Clinical Excellence. Clinical guideline 67: Lipid modification. London, May 2008.
Enviado por Licinia C.R. de Campos

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