Carne Orgânica

Assim como outros alimentos, a carne também pode ser produzida de forma orgânica. Apesar de a aparência do produto final, como a cor, o paladar e a maciez, não ser diferente da aparência da carne produzida de forma não-orgânica, esse novo produto tem algumas características peculiares em sua forma de produção. Para compreendê-las melhor, é preciso lembrar que hoje existe um fator de mercado, que leva em consideração tanto a segurança alimentar como as preocupações socioambientais dos consumidores. Essas circunstâncias podem tornar um produto diferente de outro, mesmo que isso não seja percebido visualmente.

A carne orgânica segue modelos e sistemas de produção semelhantes aos dos produtos hortifrutigranjeiros, ou seja, ela requer cuidados ambientais e sociais que devem ser adotados pelos produtores e pela indústria e que precisam ser auditados por certificadores, que verificam na prática se as regras para a produção de um produto orgânico estão sendo cumpridas.

Essas regras e normas para a produção orgânica incluem a não-utilização de remédios alopáticos (aqueles fabricados em laboratório através de processos químicos), a não-utilização de agrotóxicos nas pastagens, a identificação individual dos animais, o bem-estar do animal, o cumprimento das leis ambientais, o manejo sanitário e de nutrição animal e os cuidados sociais com todas as pessoas envolvidas no processo, entre outras.

Já por parte da indústria, além dos aspectos comuns de produção citados anteriormente, há o tratamento dos resíduos produzidos no frigorífico, os cuidados no transporte e o manejo dos animais antes do abate, entre outros.

Com essas normas e obrigatoriedades, o produto final “carne orgânica” torna-se um produto diferenciado e, conforme ditam as leis de mercado, o seu preço também sofre uma diferenciação, já que o frigorífico tem a opção de exportá-lo por um valor mais elevado ou comercializá-lo no mercado interno ainda inexplorado.

A carne bovina orgânica brasileira, no entanto, não pode ser comercializada aqui no Brasil, já que as regras para a sua produção não foram definidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Mas é importante que o consumidor conheça e questione esse novo produto, que, embora visualmente não traga consigo diferenças aparentes, inova no modelo de produção adotado pelos pecuaristas e frigoríficos.